Semana do Aleitamento Materno Foca na Responsabilidade da Família

Larissa, Diego e o pequeno Hugo: buscando informações para crescer como pais

Larissa, Diego e o pequeno Hugo: buscando informações para crescer como pais | Gustavo Carneiro

O friozinho registrado na tarde deste domingo não foi um problema para o pequeno Hugo, de apenas dois meses. Aquecido com o calor do corpo do próprio pai com o wrap sling, um carregador de bebês amplamente utilizado em todo o mundo, o recém-nascido dormia tranquilamente enquanto os pais, Larissa Melo e Diego Perassolli, participavam da programação da Semana Municipal do Aleitamento Materno.

Promovida pela OMS (Organização Mundial da Saúde), a data é comemorada no dia 1º de agosto, mas se estende ao longo da primeira semana do mês em mais de 170 países. Neste ano, a OMS e a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) decidiram adotar o slogan “Empoderar mães e pais, favorecer a amamentação: hoje e para o futuro!”

No centro de Londrina, na loja Ciranda, uma oficina foi realizada para o ensino da Shantala, uma técnica indiana de massagem para bebês. “É uma massagem que pode ser feita a partir do primeiro mês de vida e auxilia muito na questão do vínculo mãe e bebê, na questão do sono, das cólicas, as pessoas têm recorrido cada vez mais com relação a isso”, afirmou a psicóloga especialista em psicologia e maternidade, Natália Chudzik.

Mas a programação no município segue até esta quarta-feira (7) com a palestra “Ouro Líquido – o valor do leite materno”, no mesmo local. Já nesta segunda-feira (5) dicas valiosas vão ser dadas na palestra “Atendimento de Consultoria em Aleitamento Materno: pega correta, dificuldades, fissura, dor, ordenha e Laserterapia”.

Para a doula Lua Beltrame, o tema deste ano é urgente uma vez que trazer a amamentação para o seio da família, ou qualquer que seja a configuração da rede de apoio desta mãe, tem a capacidade de tornar este ato ainda mais grandioso, além de amenizar as dificuldades naturais. “Porque faz parte da maternidade. Vemos tantas mulheres com dificuldade de amamentação ou desmamando por falta de informações, apoio, atendimento de qualidade”, afirmou.

Londrina conta com um apenas um banco de leite, mas diversos pontos de coleta como na Maternidade Municipal Lucilla Ballalai e nos Hospitais Evangélico e do Coração, que integram a rede do Banco de Leite do Hospital Universitário. Completam a rede de coleta do HU instituições em Cambé, Rolândia e Cornélio Procópio.

De acordo com a coordenadora do Banco, Márcia Benevenutto, cerca de 25% das mães que estão amamentando produzem mais leite do que seus filhos necessitam. Atualmente o HU recebe doações regulares e, se for preciso, vai à casa destas mães para buscar o excedente. No entanto, não são suficientes para a demanda. “A doadora é realmente fundamental para que se tenha o leite para ser oferecido para os bebezinhos, principalmente para os prematuros. Muitas vezes as mães estão fragilizadas pelo estado destes bebês, então deixamos prioritariamente para o prematuros e os internados”, explicou. Para realizar a doação é necessário ter a sorologia negativa, estar amamentando e ter sobra de leite.

O momento também é fértil para se retomar uma discussão que já causou polêmica e ainda é atual: a amamentação em público. Em março, o Senado aprovou o projeto de lei que autoriza a penalização com multa inferior a dois salários mínimos a quem violar o direito à amamentação em local público.

Para uma das organizadoras da Semana, a enfermeira Débora Bauer, houve perda do aspecto funcional da mama em detrimento de um aspecto erótico, o que faz parte de uma configuração cultural mais ampla. Mesmo avaliando que o Brasil está mais adiantado neste ponto em relação a outros países, “ainda há muito o que avançar para se garantir este direito”, diz.

“Vai de cada um da sociedade de apoiar ou não este olhar da amamentação. O Estatuto da Criança e do Adolescente já garante essa defesa em público, é direito da mãe em ônibus, restaurantes, avião.

Para o casal Larissa e Diego, o fato de já serem pais de duas filhas, de sete e quatro anos, não representa o fim de um aprendizado sobre a criação dos filhos que é eterno. Para eles, tudo começou com o nascimento de Hugo em um parto natural diferentemente das duas filhas Eduarda e Beatriz.

“Com as informações que fomos obtendo com as doulas, todo o apoio e auxílio, consegui ter o meu primeiro parto normal e aprendemos a procurar informações para sempre estar crescendo como pais”, avaliou a dona de casa.

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