De volta ao Estado depois de passar por centros de referência em oncologia, médico paranaense ressalta uma nova abordagem no tratamento do câncer
Gustavo CarneiroO médico Gabriel Lima Lopes obteve recentemente a segunda maior média entre as escolas médicas de oncologia em exame da Sociedade Americana de Oncologia Clínica

De volta ao Norte do Paraná depois de 12 anos morando entre Curitiba e São Paulo, o oncologista Gabriel Lima Lopes traz na bagagem não só a experiência dos seus 28 anos, como também as seis décadas em que a medicina faz parte da sua família. “Foi quando meu avô fundou o hospital em Cornélio Procópio, que é hoje o maior hospital geriátrico privado do Paraná, um centro de excelência em geriatria”, conta.Mineiro de Guaxupé, o avô materno, João Batista Lima, se formou em medicina pela Universidade Federal do Paraná, em Curitiba. “E depois veio desbravar o Norte do Paraná como cirurgião e parteiro das antigas. Foi um dos primeiros médicos da região”, lista Lopes, que nasceu em Santa Mariana e cresceu em Cornélio Procópio. “Fiz o terceiro ano do ensino médio em Londrina e fiz faculdade em Curitiba.”

“Meus pais não são médicos, meu pai é administrador de empresas e minha mãe é fisioterapeuta. Mas desde criança queria ser médico”, conta Lopes, sobre a paixão infantil. Segundo ele, a herança do avô e dos tios acabou influenciando não só a ele como também os primos. O tio, João Lima Batista Filho, é o diretor clínico do hospital da família e um dos idealizadores da Pastoral do Idoso, ao lado de Zilda Arns.

“Quando entrei na faculdade queria ser cirurgião como meu avô, mas depois do primeiro, segundo ano, percebi que tinha mais traquejo para a clínica, pacientes mais complexos. E aí comecei a me envolver com oncologia no final do segundo ano. Do terceiro ano em diante, defini que seria oncologista”, explica.

“É uma decisão com certeza muito difícil porque envolve situações com questões de vida e morte, mas o que mais motiva o oncologista é o desafio, de estar ali parceiro da família e do doente. É uma área que tem muito tratamento sistêmico e envolve muitas doenças, você precisa ter uma noção muito grande de muitas coisas, não é focada como a cardiologia, por exemplo”, explica.

Depois de se formar, passar pela residência base e a residência em oncologia, o médico elegeu Londrina para morar. Em São Paulo, passou pelo Hospital Sírio Libanês, “hoje a maior referência em hospital privado da América Latina para oncologia clínica e cirúrgica”. Foi pela instituição que ele prestou o exame anual promovido pela Sociedade Americana de Oncologia Clínica, uma prova exclusiva para os residentes dos últimos anos.

Cerca de 200 escolas médicas do mundo inteiro participam, e os resultados servem de parâmetro para o controle de qualidade do programa de residência e para os próprios residentes. “Como é uma prova muito extensa acaba abrangendo todas as 16 subáreas da oncologia, então é uma forma de avaliação bem global”, explica.

São 200 questões com os assuntos mais básicos da Oncologia até os casos mais complexos. “Ordinariamente minha nota ficou no quinto percentual e a minha média, comparada com as outras escolas, ficou em segundo lugar”, lembra Lopes, que terminou os cinco anos de residência em fevereiro e em março já estava em Londrina.

“Tive propostas em São Paulo e em Curitiba, mas começaram a aparecer coisas legais por aqui e acabei optando em vir para cá”, justifica o oncologista. Ele atende no Hospital Evangélico, no Hospital do Coração e também na clínica Pro Onco, além de ser professor titular de oncologia da PUC-PR. “E em 15 dias, talvez, esteja também no Hospital do Câncer”, adianta Lopes.

Não deixa de ser uma agenda bem concorrida, mas para o médico, depois da experiência paulistana, a rotina está mais tranquila. “Lá em São Paulo eu tinha folga um final de semana a cada três meses. E não era o final de semana inteiro, era só o domingo ou o sábado”, conta. “Aqui, em 10 minutos estou no Evangélico. Lá, levava pelo menos uma hora e meia para me deslocar. Voltei a ter vida social”, sorri.

“Dar aulas é continuar estudando. É o lugar onde o médico continua a fazer as atualizações. Mas no meu caso, que tive a oportunidade de estar em lugares de ponta, é uma oportunidade de retribuir, é um feedback para a sociedade”, diz o médico.

“O que contou muito para os convites sequenciais que recebi foi o peso do meu currículo mesmo, ter feito uma formação em locais que são as referências para o cuidado em oncologia. Meu perfil também acabou contribuindo bastante, sou de uma geração que está aprendendo bastante a cuidar de uma forma diferente dos pacientes oncológicos”, diz.

No ano passado, Lopes passou um mês estagiando no Memorial Sloan Kettering Cancer Center, em Nova York. “Maior hospital privado dos Estados Unidos em oncologia”, explica. “A oncologia como uma especialidade do século passado, tinha muito estigma. Hoje como avançou muito no diagnóstico, o oncologista clínico está muito mais preparado. Se antes diziam muito ‘não há mais nada a fazer’, hoje sempre temos mais para fazer.”

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