Caso de sarampo no Paraná reacende alerta sobre vacinação

Confirmação em Campina Grande do Sul ocorre após um período de 20 anos sem registros da doença no Estado

A confirmação de um caso de sarampo em Campina Grande do Sul (Região Metropolitana de Curitiba) reacende o alerta para a necessidade de manter a vacinação em dia. Conforme a Sesa (Secretaria de Estado da Saúde), a cobertura vacinal da doença no Paraná é de 89,8% entre crianças com 1 ano. O ideal, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), é que esse índice permaneça em, no mínimo, 95%.

Disponível na rede pública desde 1968, vacina tem sido deixada de lado por razões como fake news

Disponível na rede pública desde 1968, vacina tem sido deixada de lado por razões como fake news | GESP

 

De acordo com a diretora de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde, Sônia Fernandes, as unidades básicas de Londrina estão equipadas com doses contra a doença. Ela explica que o caso confirmado no Estado não “altera a imunização que já vem sendo feita, mas nos deixa em alerta para uma possível constatação na cidade, que não registra uma situação do tipo há 20 anos”, disse. “As ocorrências confirmadas no Estado de São Paulo assustam bastante pela proximidade com Londrina. Não estamos em campanha, mas conscientização nunca é demais”, avaliou a diretora.

O infectologista e integrante do CRM-PR (Conselho Regional de Medicina do Paraná), Jan Walter Stegman, reforça que a imunização é eficaz e segura. “Os cuidados com a vacinação deixaram de ser tomados. Lamentavelmente hoje tem alguns grupos que fazem campanha contra as vacinas e as pessoas estão vacinando menos. Com isso, estão voltando antigas doenças que a gente não via e muitas ainda vão voltar. Não só o sarampo. A poliomielite, a difteria, doenças raras e erradicadas no Brasil, mas que, pela falta de vacina, vão voltar. É preciso que se diga: todas as vacinas do Programa Nacional de Imunizações são registradas na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e são seguras com toda a certeza”, garantiu.

A doença contagiosa é transmitida por meio da fala, tosse e espirro. Entre os sintomas estão manchas vermelhas no rosto, febre alta, dor de cabeça, tosse e conjuntivite. A primeira dose para imunização contra o sarampo é aplicada com 1 ano de idade. O reforço deve ocorrer com 1 ano e 3 meses. Quem não tem registro da imunização pode receber a dose novamente. Crianças com idade entre seis meses e 1 ano também devem ser vacinadas em caso de viagens para municípios em situação de surto.

Ao todo, 43 municípios brasileiros apresentam surto de sarampo, conforme dados do Ministério da Saúde. A maioria dos casos está concentrada no Estado de São Paulo. No Rio de Janeiro, além da capital, Paraty e Nilópolis estão em alerta. Salvador (BA) também registra situação preocupante. Entre 5 de maio e 3 de agosto, 907 casos de sarampo foram confirmados no Brasil. Os sintomas começam a aparecer, em média, dez dias após o contato com alguém infectado.

A vacina, disponível na rede pública desde 1968, tem sido deixada de lado por várias razões. Além dos movimentos contrários à imunização, as chamadas fake news também têm prejudicado a ampliação da cobertura vacinal, avaliou o médico da família e comunidade, Elton Luiz Azuma.

“Tem muitos fatores envolvidos nesse retorno da doença. Foram muitas fake news espalhadas pelas redes sociais. Uma delas, por exemplo, dizia que a vacina contra sarampo causava autismo. A posteriori, isso foi desmentido. Outro fato divulgado era que a própria vacina causava a doença. Quando você joga uma notícia dessas para o mundo, é difícil reverter os danos”, lamentou o profissional.

A confirmação do caso em Campina Grande do Sul ocorre após um período de 20 anos sem registros da doença no Paraná. A mulher de 41 anos diagnosticada com sarampo esteve em São Paulo no mês passado. Ela está em isolamento e equipes de saúde fizeram o bloqueio para evitar novos casos. A Sesa informou ainda que os profissionais da rede de saúde participam de capacitações frequentes para avaliar casos suspeitos. Outros dois casos são investigados no Paraná. A Sesa, porém, não revelou os municípios de origem dos pacientes acompanhados.

Na rede particular em Londrina, a procura por doses contra o sarampo tem oscilado em razão do surto constatado no Estado de São Paulo. Na Clínica de Vacinas da Unimed Londrina, entre janeiro e maio deste ano, foram aplicadas, em média, dez doses por mês. Em junho, no entanto, foram 35 doses aplicadas. Entre 1º e 7 de agosto, 13 pessoas foram imunizadas. Na Clínica de Vacinas da Hospitalar, a procura tem se mantido constante.

Folha_de_Londrina(2019-08-09)_page7

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