Fenômeno afeta produção de seda e leva sericicultores a protestarem no Paraná: ‘Pedimos fiscalização’
Sericicultores de Nova Esperança enfrentam prejuízos. Adapar garante que há 25 fiscais estão na região para orientar produtores e inspecionar equipamentos de aplicação.
Por g1 PR e Caminhos do Campo
29/10/2023 07h02 Atualizado há 6 meses
Mais de 300 sericicultores do Paraná enfrentam atualmente os reflexos da deriva, fenômeno que ocorre quando um agrotóxico aplicado em lavouras próximas é levado pelo vento e atinge plantações.
Causando prejuízos, sericultores protestaram nesta semana pelas ruas de Nova Esperança, a capital paranaense da seda. Cartazes pediam por fiscalizações mais rigorosas em relação ao uso de defensivos na região.
“A gente está cobrando para as pessoas terem mais consciência. Não é parar, é ter consciência do que estão fazendo. Não passar veneno com vento, ver os bicos que serão usados, não passar com avião. É isso que a gente quer”, declara a sericicultora Loeli da Silva Gomes.
Mais fiscalização
Em Nova Esperança, uma lei proíbe o uso de aviões ou helicópteros para a pulverização de agrotóxicos e exige que o produtor tenha uma autorização prévia do município para realizar o trabalho.
De acordo com a presidente da associação de produtores, Sandra Maria Andrade, denúncias foram feitas, mas sem retorno.
“O que a gente pede é fiscalização, diálogo e respeito, porque todas as culturas podem conviver”, diz Sandra.
Em nota técnica, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) que faz o controle dos defensivos agrícolas no campo, disse que desde junho foram realizadas 251 inspeções nos municípios com maior incidência de deriva, como Nova Esperança, Astorga e Marialva.
A agência afirmou que 25 fiscais estão na região para orientar produtores e inspecionar equipamentos de aplicação e ressaltou que a deriva é apenas uma das causas da mortandade do bicho da seda, que também pode enfrentar problemas sanitários, como viroses.
Como evitar fenômeno
O técnico de sericicultura Leonardo dos Santos Mendes explica que manchas amarelas nas folhas são sinais da ação dos herbicidas e inseticidas – usados nas lavouras para controle de pragas. Na prática, a lagarta ingere o defensivo e o produtor perde as larvas.
“O produtor atingido acaba perdendo as larvas – que muitas vezes não apresentam sintomas antes, seguem o ciclo e acabam não fazendo o casulo”, diz Mendes.
O especialista ressalta que agricultores devem aplicar os agrotóxicos em horários apropriados, com condição de vento e temperatura apropriadas. “Tem casos de herbicidas que atingem até 50 quilômetros de aplicação”, explica.
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