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Gina Mardones - Thalita Azevedo com o marido Alexandre Casabranca e a filha: 'Resolvemos compartilhar nossa história para poder ajudar outras pessoas a lembrar que sempre tem uma saída'
Thalita Azevedo com o marido Alexandre Casabranca e a filha: “Resolvemos compartilhar nossa história para poder ajudar outras pessoas a lembrar que sempre tem uma saída”

O olhar amoroso e o sorriso sem fim da família Azevedo Casabranca tem um nome: Ana Liz. Com apenas 20 dias de vida, a primogênita do casal que vive em Londres há mais de cinco anos já fez história, pelo menos para sua família. Ana Liz foi diagnosticada com hidrocefalia, uma doença caracterizada pelo acúmulo de líquido nas cavidades internas do cérebro, que pode comprometer o desenvolvimento da criança e, em casos extremos, levar à morte. Os pais vieram para Londrina, onde a bebê nasceu e passou por uma microcirurgia.

“Era uma gestação normal, até que no ultrassom de 28 semanas descobrimos que ela estava com esse acúmulo de líquido. Por semana, a dilatação aumentava cerca de dois milímetros de cada lado do cérebro, mas com o avançar da gestação isso foi aumentando significativamente”, contou a mãe Thalita Azevedo. Ela é de Cambé (região metropolitana de Londrina) e se mudou para Londres há oito anos, onde atua como chef de cozinha em uma rede hoteleira. Foi no trabalho que ela conheceu o marido Alexandre Casabranca, natural de Vendas Novas (Portugal), também chef de cozinha.

O casal passou por momentos de angústia e desespero, além do fato de estarem longe de suas famílias. “Os médicos de lá (Londres) nos deram duas opções: abortar, que é o que chamam de interrupção da gestação com o bebê morto, ou esperar pelo parto normal até 42 semanas, com a certeza de que nossa filha teria graves sequelas, como não andar e falar”, afirmou a mãe.

No Reino Unido, o aborto é legalizado desde 1967. A lei prevê que nenhuma mulher é obrigada a levar a termo uma gravidez indesejada, caso seja atestado que isso é prejudicial à sua saúde física ou mental.

O casal buscou informações e soube que no Brasil teriam uma possibilidade de tratamento. “O aborto não era uma opção para nós, mas saber que existia uma chance de tratá-la para minimizar as sequelas foi uma grande esperança”, desabafa.

Eles desembarcaram em Londrina no dia 28 de fevereiro e após exames e muita conversa com a obstetra Lilian Vacari e o neurocirurgião Carlos Zicareli, a pequena Ana Liz passou por cirurgia. O parto foi antecipado (37 semanas) porque o bebê estava em sofrimento pela hipertensão craniana. “O ideal seria esperar o parto a termo, mas havia evidências de sofrimento do bebê”, contou Zicareli.

A microcirurgia ocorreu dois dias após o parto, no Hospital Evangélico de Londrina. O neurocirurgião explica que um cateter foi colocado dentro do ventrículo do cérebro, conectado a uma válvula que é programada para retirar o líquido excedente do cérebro. “Esse cateter vai do cérebro até o peritônio (membrana que reveste os órgãos abdominais), onde se tem muito líquido próprio do organismo. Todo o excedente vai para essa região para uma absorção natural”, diz.

O procedimento demorou cerca de 50 minutos e em aproximadamente dez dias Ana Liz teve alta. “Até o presente momento, a criança não apresenta nenhuma alteração. É lógico que vamos ter pelo menos uns dois anos de acompanhamento por uma equipe multidisciplinar, pois há a probabilidade dela ter alguma repercussão, como um comprometimento cognitivo, mas até o momento não podemos afirmar. Ela está saudável”, destacou o médico.

Para o casal, a conduta médica inglesa tem uma explicação cultural. “É da cultura deles mesmo. A gente se sentiu desesperado e sem informação precisa. Aqui no Brasil, o sentimento foi diferente. Foi de amparo”, comentou a mãe.

Para o pai, “a sensação foi de alívio e de ter feito a escolha certa”. Ele deve voltar para Londres ainda hoje (28) e Azevedo ficará mais um mês na casa da família. Agora, o mesmo olhar amoroso que não desvia nenhum minuto da pequena Ana Liz, expressa também o sentimento de “dever cumprido”.

“Nosso País é acolhedor. Resolvemos compartilhar nossa história para poder ajudar outras pessoas a lembrar que sempre tem uma saída. Sempre tem um lado bom em uma história que nem sempre começa como esperamos”, afirma a mãe.

Diagnóstico a partir de 24 semanas

A hidrocefalia é caracterizada pelo aumento do volume do líquido cefalorraquidiano, que exerce uma pressão prejudicial ao tecido cerebral e provoca uma dilatação anormal do cérebro. Segundo o neurocirurgião Carlos Zicareli, o diagnóstico da doença pode ser feito hoje intraútero, a partir da 24ª semana de gestação.

“Não é necessário um exame específico. Um ultrassom de rotina pode detectar essa alteração”, afirma. Com o diagnóstico confirmado, será investigado se a criança não apresenta malformações. Afastando todas as possibilidades, é possível antecipar o parto para tratar a hidrocefalia precocemente, através da cirurgia minimamente invasiva chamada DVP (Derivação Ventrículo Peritoneal).

O especialista explica que essa intervenção visa diminuir o tempo de hipertensão dentro do cérebro, o que possibilita que a criança evolua com menos alterações comportamentais, cognitivas ou motoras. “Com menos pressão na região do cérebro, as chances de sequelas são reduzidas”, completa.

No entanto, o tratamento cirúrgico não atende todos os casos. Essa decisão vai depender da saúde e peso do bebê e também do estado clínico da mãe, além da anuência do obstetra, pediatra e neurocirurgião.

A prática é frequente tanto em adultos quanto crianças, mas ainda são poucos os casos em que o parto é antecipado para este fim. Sobre as causas, Zicareli cita alterações genéticas da própria formação do embrião e alguns fatores externos maternos, como o uso de medicação contínua durante a gestação.

Micaela Orikasa
Reportagem Local

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