

O Hospital Evangélico de Londrina realizou, na última semana, uma cirurgia inédita em um menino de 11 anos com paralisia cerebral. O procedimento é de alta complexidade que exige alto grau de treinamento e especialização de toda a equipe. Chamada rizotomia dorsal seletiva (RDS), a cirurgia já foi realizada em diversos casos no Brasil, mas apenas em capitais e grandes centros, sendo a primeira vez na cidade e no interior do Paraná.
Indicada para paciente entre 4 e 14 anos, a RDS pode também ser recomendada em situações específicas até os 18 anos. É um procedimento muito eficaz, utilizado em todo o mundo, para reduzir a espasticidade e melhorar a função motora em crianças especialmente com paralisia cerebral. É uma técnica que foi aprimorada pelo médico T.S. Park, e que na prática inativa parte dos nervos que conectam os músculos à medula. O corte é bem pequeno, fica entre 3 e 5 cm, na transição da coluna dorsal para coluna lombar.
Estudos realizados comprovam que a RDS resulta em melhorias dos membros inferiores, com redução da espasticidade, melhora da amplitude de movimento bem como da força muscular dos membros inferiores. “Crianças que por conta da paralisia cerebral não podem andar, com o procedimento passam a ter suas pernas mais ‘soltas’ o que leva a uma sensível melhora na função motora, podendo andar e até correr, com melhoria na qualidade de vida desses pacientes”, lembra o médico Alexandre Casagrande.
Os resultados podem não aparecer logo após a cirurgia, mas as funções são recobradas a partir de sessões de fisioterapia ao longo dos meses. De uma forma simples, a técnica consiste em cortar alguns nervos que saem da medula, guiado por monitoramento neurofisiológico intraoperatório. O procedimento reduz a entrada de reflexos medulares exagerados comuns a estes pacientes com paralisia cerebral. Os nervos são testados separadamente pelo neurocirurgião, que escolhe as fibras a serem lesadas de acordo com os exames neurológicos anteriores e os resultados obtidos na neuromonitorização.
