Empatia é o segredo para enfrentar o trabalho durante as festas Quem passa o ano novo trabalhando ensina que se colocar no lugar dos outros ajuda a aceitar a rotin

Marcos Zanutto -
“Pelo microfone, aviso que já é meia-noite e os passageiros aplaudem”, conta o motorista Agnaldo Luiz Domingues

Para a maioria, a chegada de um novo ano é celebrada com festas, confraternizações em família, comida farta, brindes à meia-noite e rituais para trazer bons fluídos. Para quem trabalha em serviços que funcionam 24 horas, porém, a regra das celebrações nem sempre é válida. Nos hospitais ou na estrada, entre outros exemplos, a passagem para o dia 1 de janeiro será de mais um dia de trabalho. Enfrentar a rotina nos dias de festas não é fácil, mas trabalhadores acostumados à labuta logo no primeiro dia do ano garantem que o segredo para lidar com essa adversidade com mais leveza é praticar a empatia. Ao colocarem-se no lugar das pessoas que estão precisando do serviço, eles garantem que fica mais fácil passar as festas trabalhando.

Funcionário da Viação Garcia há 22 anos, o motorista Agnaldo Luiz Domingues conta que o fim do ano é uma época de muita demanda para a empresa, por isso os motoristas estão sempre prontos para viajar, seja no Natal ou no Ano Novo. “É bem provável que eu esteja na estrada na virada do ano. É uma mistura de sentimentos. Ao mesmo tempo que me sinto triste por estar longe da família, é muito gratificante colaborar para unir pessoas que, muitas vezes, estão há muito tempo sem se ver”, diz.

A passagem do ano na estrada é sempre tranquila. “Pelo microfone, aviso que já é meia-noite e os passageiros aplaudem. A festa mesmo é quando chegamos ao destino e há o encontro com familiares e amigos”, diz ele, que passou a noite do dia 24 de dezembro com a família mas também trabalhou no dia do Natal. “Sinto falta da companhia das família, mas já me acostumei, alguém tem que trabalhar”, brinca.

Casado e pai de duas meninas, Heloísa, 14, e Victória, de apenas 7 meses, Domingues está apreensivo por passar o primeiro ano novo da caçula longe dela. “É algo novo a se pensar. Mas já sei que, se estiver na escala, vou esperar a próxima folga para comemorar com elas”, garante. A filha mais velha, segundo ele, já está acostumada com as viagens, mas não deixa de sentir falta. “Elas querem a nossa presença, mas estar ausente faz parte da profissão”, diz.

No Hospital Evangélico, muitos funcionários vão trabalhar na virada do ano. Apesar do clima ficar diferente por não haver muitas cirurgias eletivas agendadas, as pessoas continuam precisando de antedimento médico e a demanda não para.

Gina Mardones

A enfermeira Regina Alves dos Santos Aleixo estará de plantão no Ano Novo: “Foi uma escolha que eu fiz, então acaba sendo mais fácil”

A recepcionista Evelyn Alves de Almeida é uma das escaladas para o plantão do Ano Novo e garante que já está acostumada. “Todo ano revezamos entre Natal e Ano Novo, mas este ano me dispus a vir nos dois feriados porque vou sair de férias e achei justo dar oportunidade aos colegas para descansarem”, conta. Ela é mãe de Thaís, 12, e Guilherme, 4, e conta que ficar longe dos filhos é a pior parte. “O Guilherme é autista e não entende minha ausência. Quando chego, é sempre uma festa”, emociona-se.

Os familiares demoraram a aceitar a rotina da recepcionista. “Converso e explico que faz parte do meu trabalho, mas nem sempre há o entendimento. Fico dividida, pois sei que os pacientes precisam de mim, mas os filhos também”, relata.

Nos primeiros plantões, ela ficava triste e até chorava, mas depois aprendeu a praticar a empatia. “Me coloco no lugar de quem está hospitalizado e vejo que nosso trabalho é importante para eles”, diz ela, que procura dar atenção especial a quem está sozinho. “Lembro de um senhor que esteve internado e nunca recebia visitas. Era Natal e aproveitei o horário do almoço para fazer companhia a ele. Não me custou nada e fez muita diferença para a vida dele”, compara.

A enfermeira Regina Alves dos Santos Aleixo também vai passar o Ano Novo no plantão do Hospital Evangélico. Há 13 anos na profissão, ela sofre por não passar o feriado com o filho Davi, 3, mas garante que, quando escolheu ser enfermeira, já sabia que esse tipo de sacrifício seria necessário. “Foi uma escolha que eu fiz, então acaba sendo mais fácil. É mais difícil para os pacientes, que não queriam estar no hospital”, afirma.

Para amenizar a falta dos familiares, os funcionários do plantão costumam trazer comidas especiais para celebrarem. A partilha dos alimentos é feita no horário da refeição em local apropriado, mas o sentido de confraternização não se perde. “Passamos o ano todo juntos e também somos como uma família”, reforça.

Ciente de que passar as festas no hospital é muito difícil para os pacientes, ela explica que algumas concessões são feitas nessa época do ano. “A gente acaba tolerando a presença de um parente a mais na visita e até liberamos que comam alimentos trazidos pela família quando o médico autoriza. São pequenas ações que ajudam a amenizar o sofrimento”, acredita.

Carolina Avansini
Reportagem Local

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