Hospital Evangélico: Folha de Londrina – Projeto Polvinho

Um polvo e muito amor
Projeto em Londrina ajuda bebês prematuros a se sentirem protegidos na companhia de bonecos de crochê
Ricardo Chicarelli

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Frágeis e delicados, bebês prematuros necessitam de cuidados intensivos para que o desenvolvimento que não se completou na barriga da mãe possa prosseguir sem sequelas à formação física e neurológica da criança. Para isso, o período na incubadora é fundamental, pois garante as condições ideais de temperatura e oxigenação. Surgido há quatro anos na Dinamarca, o Projeto Octo ajuda os recém-nascidos internados nas UTIs neonatais a se sentirem protegidos e seguros na companhia de polvos feitos em crochê. Em 2017, a iniciativa começou a espalhar seus tentáculos por várias cidades do Brasil e, em Londrina, o projeto “Um Polvo de Amor” beneficia bebês internados na UTI neonatal do Hospital Evangélico desde o início de abril.

A responsável pela disseminação da ideia em Londrina é Fernanda Rodrigues, que descobriu o projeto dinamarquês quando pesquisava na internet sobre a técnica japonesa amigurumi, utilizada na confecção de pequenos bonecos em tricô ou crochê. “Vi o vídeo de uma matéria feita no Hospital Universitário de Ponta Grossa (Campos Gerais), me encantei pelo projeto e comecei a fazer o polvo. Minha intenção era iniciar pelos hospitais públicos, mas acabei conseguindo no Hospital Evangélico. A enfermeira-chefe já tinha visto o projeto e no dia 3 de abril entreguei os sete primeiros polvinhos que fiz para os bebês na incubadora”, contou Fernanda.

Ainda não há comprovação científica dos benefícios que o boneco proporciona aos recém-nascidos, mas médicos e enfermeiros já observam que os polvinhos ajudam no processo cognitivo, acalmam, ajudam a normalizar a respiração e os batimentos cardíacos, além de evitar que os bebês arranquem fios de monitores e tubos de alimentação. A explicação é que os tentáculos de crochê se assemelhariam ao formato e textura do cordão umbilical, devolvendo aos bebês a sensação que tinham no útero materno.

Segundo o diretor técnico assistencial do Hospital Evangélico, Ivan Pozzi, o intuito é oferecer qualidade no atendimento aos pequenos pacientes. “A ideia do polvo é de acolhimento. Com aquele contato com a criança, ele transmite uma sensação de segurança e de limitação de espaço, até de maneira diferente dos ‘ninhos’ que fazemos e que tentam representar os limites do útero”, destacou.

Crianças prematuras, abaixo de 37 semanas, e que estejam na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ou Unidade de Cuidados Intermediários (UCI), são as contempladas pelo projeto, independente do grau de prematuridade. Os polvos são escolhidos para cada uma a partir do tamanho do próprio bebê, buscando ser o mais compatível possível. Já os tentáculos não podem ultrapassar 22 centímetros esticados.

Os bonecos nascem de um simples novelo de linha e são confeccionados pelas mãos habilidosas de voluntários, sendo distribuídos entre os bebês nas incubadoras posteriormente. Antes, porém, eles passam por um processo rigoroso de esterilização. Após irem para as incubadoras, eles são lavados, no mínimo, uma vez por semana. “Este polvo é individualizado para cada criança, em um processo que oferece uma grande esterilização, e vai ser deste bebê até ele sair do hospital, quando poderá levar para casa”, explicou Pozzi.

SEM SUBSTITUIÇÃO

Com uma média de 50 bebês por mês passando pelas unidades neonatais, já existe uma demanda por mais polvos. “Começamos por esta faixa porque os polvos são feitos de forma voluntária e nossa demanda é grande. Pensamos nos prematuros também para ver como seria a receptividade da equipe e dos bebês, mas queremos estender para as crianças maiores”, contou a enfermeira-chefe da UTI e UCI neonatal e pediatria, Ariane Thaise Alves Monteiro.

Uma das responsáveis por levar o projeto ao Evangélico, Ariane comemora os resultados. “Houve uma mudança instantânea no comportamento dos bebês. Eles já se envolvem e isso estabiliza a frequência respiratória e cardíaca. Com os que estão na UTI já foi observado que saem mais rápido do respirador e do tubo e conseguem alta com uma maior agilidade”, pontuou. “Mas isso não substitui a presença dos pais e o aleitamento materno. Isto é para somar no cuidado”, alertou a enfermeira.

Além do “Um Polvo de Amor”, outros projetos são devolvidos no hospital com a finalidade de incentivar uma recuperação mais humanizada dos prematuros. Entre eles estão a redeterapia e a hidroterapia.
Simoni Saris e Pedro Marconi
Reportagem Local

PROJETO

Voluntárias podem ajudar na confecção
Saulo Ohara

Parte dos bonecos é produzida em um ateliê em Londrina
Para ajudar na divulgação do projeto e conseguir atrair mais voluntários, Fernanda Rodrigues (responsável pela disseminação da ideia em Londrina), criou a página Um Polvo de Amor – Londrina no Facebook. Na página, além de informações sobre o projeto, há orientações para quem quer participar, como a receita do boneco de crochê, pontos de entrega de doações de novelos e bonecos, especificações do material que deve ser usado na confecção dos polvos e orientações de higiene, já que os bonecos serão utilizados dentro de um ambiente estéril.

“É uma sensação única, uma gratidão muito grande que não tem dinheiro no mundo que pague. Me encontrei nesse projeto para ajudar alguém tão indefeso”, disse Fernanda.

Parte dos bonecos é produzida no ateliê e loja de materiais para artesanato Arte e Cor. “A gente tem bastante gente aqui que gosta de ajudar e é solidário. Fico feliz de ajudar e é muito gratificante o resultado desse projeto”, comentou Iria Nonaka, proprietária da loja, que também funciona como ponto de entrega de doações.

“A gente pede para vir ajudar quem já tem noção de crochê, mas se não tiver noção, mas tiver muita vontade, a gente ensina”, disse Suely Beggiato, que é pedagoga, artista plástica e artesã e também é responsável por orientar os voluntários na execução dos polvos.

Crocheteira desde criança, a artesã Maria do Carmo Rosa é uma das voluntárias do projeto e diz que se sente realizada. “Além de gostar de fazer crochê, a gente faz uma boa ação. Deve ser muito emocionante ver os bebês com os polvos que a gente faz”, afirmou. “É um projeto abençoado. A pessoa que criou isso foi iluminada, é uma coisa de Deus”, comentou Iran Menegasse, que estava concentrada na confecção de seu primeiro polvo. “É o primeiro de muitos”, garante. (S.S.)

 

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